Autoridades alemãs soltam homem detido após atentado em Berlim

Suspeito foi libertado por falta de provas

A Promotoria alemã soltou nesta terça-feira um homem detido na véspera, suspeito do atentado realizado com um caminhão contra o Mercado de Natal, em Berlim. Segundo as autoridades, não havia provas suficientes contra ele. No ataque, que está sendo investigado como um ato terrorista, 12 pessoas morreram e 48 ficaram feridas.

Mais cedo, a polícia já havia comunicado não ter certeza se o homem, um refugiado paquistanês, era mesmo o responsável pelo ataque. Segundo o ministro do Interior da Alemanha, Thomas de Maizière, o imigrante chegara à Alemanha em dezembro do ano passado e, em fevereiro, a Berlim. Ele chegou a se registrar para pedir abrigo no país, mas o processo não chegou a ser completado.

A libertação joga mais dúvidas sobre o caso e reforça a crença de que o responsável ainda está à solta. De acordo com o jornal alemão “Bild”, o suspeito detido tem 23 anos e foi identificado como Naved B, de origem paquistanesa. Ele havia sido preso a dois quilômetros de distância do local do ataque, após ter supostamente fugido. O suspeito detido foi submetido a interrogatório nesta terça-feira e negou as acusações.

Naved, de origem paquistanesa, teria chegado à Alemanha há cerca de um ano pela rota dos Bálcãs. Ele não estava na mira de forças de segurança por atividades suspeitas ou possíveis conexões extremistas. Um jornalista do “Guardian” entrevistou um refugiado que conheceu Naved B no centro de abrigo de Tempelhof. Mohammed Jankhan, de 23 anos, disse: “Ele era apenas um cara normal”.

A polícia pede que quem estava no mercado de Natal ofereça depoimentos, imagens e vídeos para ajudar na investigação.

Uma testemunha do massacre seguiu o suspeito por cerca de dois quilômetros após o ataque e ajudou a prendê-lo, segundo a polícia. O homem seguiu, com uma distância prudente, o suspeito e durante todo o trajeto manteve contato com a polícia, informando as indicações geográficas essenciais para que ele fosse detido aos pés da Coluna da Vitória, um dos monumentos mais célebres de Berlim, na avenida que leva ao Portão de Brandemburgo.

A chanceler alemã Angela Merkel afirmou nesta segunda-feira que o atropelamento está sendo oficialmente tratado como um ataque terrorista. Forças especiais de segurança fizeram uma operação de busca em um abrigo para refugiados da capital alemã durante a madrugada. Até o momento, nenhum grupo reivindicou a autoria do ataque.

Nesta manhã, Merkel agradeceu o trabalho dos socorristas e expressou profunda tristeza pelo que chamou de um ato horrível. Mais tarde, ela visitou o local atingido pelo caminhão com o prefeito de Belim, Michael Müller, e o ministro do Interior, Thomas de Maizière, após se reunir com o seu gabinete.

— Esperamos que as pessoas se recuperem e possam continuar a viver depois deste dia horrível. Com base nas informações que temos, nós acreditamos que este foi um ataque terrorista. Este episódio indescritível será severamente punido de acordo com as nossas leis — declarou a chanceler em um pronunciamento televisionado.

Enquanto o atentado aumenta o clima de tensão na Europa, que viveu uma série de ataques terroristas nos últimos meses, a chanceler reconheceu que seria particularmente difícil para o país se o atentado tiver sido cometido por um refugiado. Líderes populistas europeus já se pronunciaram sobre a história, com fortes declarações anti-imigração — e, inclusive, responsabilizando Merkel pelo atentado, uma vez que seu governo abriu as portas do país aos refugiados frente à grave crise migratória do ano passado.

— Eu sei que seria particularmente difícil de aceitar para todos nós se fosse confirmado que a pessoa que cometeu este crime pediu proteção e abrigo na Alemanha. Isto seria particularmente repulsivo frente aos muitos, muitos alemães que se dedicaram dia após dia para ajudar refugiados e frente às muitas pessoas que precisam da nossa proteção e tentam se integrar ao nosso país — disse Merkel.

Como parte da investigação, uma unidade especial da polícia alemã fez uma operação de busca em um abrigo para refugiados em Berlim, onde o suposto motorista do caminhão havia sido registrado. A operação aconteceu às 04 horas da manhã (horário local) desta terça-feira, cerca de oito horas após o caminhão avançar sobre o mercado. No local vivem cerca de 2 mil refugiados e ninguém foi preso. Os investigadores apreenderam apenas um laptop e um telefone celular.

VÍTIMA MORTA A TIROS

Dentre os 12 mortos, está um homem encontrado dentro do caminhão e identificado como cidadão polonês. A polícia alemã afirmou que ele não estava dirigindo o veículo no momento do ataque ao mercado popular. Nesta terça-feira, ficou confirmado que ele foi morto a tiros, mas a arma do crime não foi encontrada. A suspeita é que o caminhão tenha sido sequestrado pelo motorista que, mais tarde, avançou deliberadamente sobre a multidão.

— Entre as vítimas está uma pessoa que foi assassinada a tiros — informou o ministro do Interior do estado regional vizinho de Berlim, Karl-Heinz Schroeter. — Trata-se de um cidadão polonês que é uma vítima e não um agressor.

O veículo pertence a uma empresa da Polônia e está registrado na cidade polonesa de Gdansk. O dono da empresa, identificado apenas como Ariel Zurawski, disse em entrevista à rádio TVN24 que seu primo esteve viajando a Berlim no caminhão envolvido no acidente e que ele passaria a noite na cidade.

o globo

20/12/2016

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