Exército sírio anuncia retomada total de Aleppo

Cidade está devastada pelas ofensivas do regime e mais de quatro anos de combates. Cruz Vermelha estima que pelo menos 34 mil pessoas saíram.

O Exército da Síria anunciou nesta quinta-feira (22) que retomou totalmente a cidade de Aleppo. O último comboio que transportava rebeldes e civis saiu da cidade na noite desta quinta (horário local), segundo comunicado.

A segunda maior cidade da Síria foi devastada por sucessivas ofensivas do regime e mais de quatro anos de combates, mas especialmente pelos bombardeios de exército sírio e de seu aliado russo nos últimos meses. As forças do governo ocupavam a zona oeste da cidade e, desde julho deste ano, formavam um cerco contra os rebeldes, que controlavam bairros do leste.

“Os quatro últimos ônibus que transportam terroristas e suas famílias chegaram a Ramusa”, bairro do sul de Aleppo controlado pelas tropas governamentais, indicou a televisão estatal síria.

Trata-se da maior vitória do regime sírio desde 2011, quando teve início a guerra, segundo a agência France Presse.

“Graças ao sangue de nossos mártires e aos sacrifícios das nossas valentes forças armadas, assim como às forças auxiliares e aliadas (…), o Estado maior das Forças Armadas anuncia o retorno da segurança Em Aleppo, após sua libertação do terrorismo e dos terroristas e da saída dos que continuavam ali”, diz o comunicado.

Trinta e um observadores da ONU chegaram na zona leste da cidade para supervisionar a fase final da operação, segundo anunciou nesta quinta Jens Laerke, porta-voz do escritório de coordenação dos assuntos humanitários da ONU (Ocha). A medida responde a uma resolução adotada em 19 de dezembro pelo Conselho de Segurança.

Operação de retirada

Lançada em 15 de dezembro após um acordo promovido pela Rússia, Irã, e Turquia, que apoia a rebelião, a operação de evacuação sofreu vários atrasos devido à desconfiança entre os beligerantes, aos problemas logísticos e, desde quarta-feira, a uma nevasca que retardou o trânsito de veículos em direção aos territórios rebeldes.

De acordo com um novo relatório do CICV, cerca de 34 mil pessoas foram retiradas desde o início da operação no enclave rebelde. Mas não foi divulgado um número oficial.

Munidos com armas de pequeno porte, rebeldes a bordo de vinte pickups, táxis e carros deixaram a cidade na parte da manhã, atravessando o posto de Ramussa, no sul de Aleppo, para chegar na zona rebelde a oeste da cidade, de acordo com um correspondente da AFP.

Um mês antes do início da retirada dos rebeldes, em 15 de novembro, o regime lançou a sua mais recente ofensiva terrestre e aérea, despejando um dilúvio de fogo sobre os bairros rebeldes, onde dezenas de milhares de residentes eram submetidos a um cerco sufocante desde julho.

Apoio russo

O apoio militar russo e iraniano foi crucial para reverter a situação em favor do regime sírio.

Em Moscou, o ministro da Defesa Sergei Shoigu anunciou que os bombardeios da aviação russa na Síria “liquidaram” 35.000 combatentes desde o início de sua intervenção em setembro de 2015.

Aleppo “é uma derrota para todos os países hostis ao povo sírio e que usaram o terrorismo para satisfazer os seus interesses”, declarou Assad nesta quinta-feira ao receber o vice-ministro iraniano das Relações Exteriores, antes do anúncio da retomada total da cidade.

Enquanto muitas atrocidades foram cometidas durante a guerra na Síria, a Assembleia Geral da ONU aprovou a criação de um grupo de trabalho para preparar dossiês sobre crimes de guerra neste país, o primeiro passo para levar à justiça os responsáveis por estes crimes.

O embaixador sírio na ONU, Bashar Jaafari, descreveu a iniciativa como um “ingerência flagrante nos assuntos” da Síria.

Símbolo da guerra

Aleppo, que já foi a capital econômica da Síria, virou o símbolo da guerra que devasta o país desde março de 2011 e que já provocou mais de 300 mil mortes.

Segundo a ONG Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), a guerra da Síria deixou mais de 300 mil mortos desde o início.

O conflito foi desencadeado pela repressão das manifestações pacíficas pró-democracia, e tornou-se mais complexo ao longo dos anos, envolvendo múltiplos atores apoiados por várias potências regionais e internacionais.

g1

22/12/2016

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