Filha de delegado da PF morto pelo neto cometeu suicídio, conclui polícia

Márcia Rodrigues foi encontrada morta na casa do pai em agosto de 2016. Filho dela acusava avô de assassinato e, durante uma discussão, o matou.

A Polícia Civil de Alagoas concluiu que Márcia Rodrigues, filha do delegado aposentado da Polícia Federal Milton Omena Farias, cometeu suicídio. Ela foi achada sem vida na casa do pai em agosto do ano passado. Na última sexta-feira (27), Omena foi assassinado e o neto dele, filho de Márcia, assumiu que o matou durante uma discussão.

À polícia, Milton Omena Farias Neto afirmou que brigou com o avô porque queria que ele assumisse ter matado Márcia. Os detalhes da conclusão do inquérito sobre o suicídio foram apresentados em coletiva à imprensa na tarde desta segunda (30).

Segundo o perito, Márcia atirou contra si mesma duas vezes. “Sentada na cama do quarto onde foi encontrada, primeiro ela atirou no próprio pescoço, e depois, contra o próprio peito. Esse foi fatal, porque atingiu o coração”, explica

O perito conta que a bala do primeiro tiro ficou alojada na parede, e a segunda, no colchão. Havia outras marcas de tiro na parede do quarto, que para a perícia, foram testes que ela fez antes de se matar.

Ainda segundo as investigações, no celular de Márcia foram encontradas conversas dela em que questionava o pai a respeito de R$ 136 mil em precatórios que ele receberia, mas que pelo tempo, a família também teria direito.

“A mãe dela teria aconselhado a ela não tocar no assunto com o pai para não criar confusão. Acredito que eles tenham debatido sobre o assunto, o que pode ter colaborado para que ela se sentisse mal em uma data festiva”, disse o delegado.

Segundo a polícia, a família de Márcia contesta a teoria de suicídio e acredita que Milton Omena foi a quem matou. “Respeitamos a opinião da família, mas temos uma conclusão baseada em provas. Lançamos mão de diversas técnicas de investigação e essa é a convicção da comissão de delegados”, disse o delegado Lucimério Campos.

Segundo a polícia, uma testemunha relatou que pouco antes do crime, Márcia e o pai estavam em um carro, na frente da casa dele, prestes a sair para o almoço do Dia dos Pais.

“Ela desceu do carro e disse que ia ao banheiro. O pai ficou no carro. Foi nesse momento que ela se matou. O pai percebeu a demora e foi ver o que havia acontecido. Foi quando encontrou o corpo da filha”, disse o delegado.

A polícia explica que o pai não ouviu os tiros. “É possível que ele realmente não tenha ouvido, pois estava dentro do carro, com rádio, celular ligados. A garagem também fica distante da casa”, ressaltou o delegado.

Neto acreditava que avô era assassino
Em relação ao assassinato do delegado, a polícia conta que Milton Neto deu um mata-leão no avô, pegou uma faca na mão da vítima e o atingiu. Antes, ele deferiu vários socos no avô.

“Quando o policial chegou, viu Neto sentado em uma cadeira, cortado. O policial foi lá, viu o que o delegado já estava sem vida e deu voz de prisão. [O suspeito] Estava um pouco perturbado e disse que o avô merecia a morte, que ele merecia morrer, pagou pelo que fez”, informou o delegado.

Neto não fala em arrependimento. Para o titular da Secretaria de Segurança Pública (SSP), Lima Júnior, o suspeito não foi à casa do avô para vingar a morte da mãe.

“Se ele diz que foi forçar o avô a confessar o crime, ele não sabia que havia a conclusão do inquérito. O que aconteceu lá foi luta corporal, onde inicialmente quem estava com a faca era o avô. O Neto tinha várias lesões no braço, lesões de defesa. À princípio, quem partiu com a agressão foi o avô. Se Neto tivesse ido vingar a morte, essa luta não teria acontecido”.

O inquérito sobre o assassinato do delegado da PF ainda vai ser concluído. O celular da vítima foi levado para a polícia analisar mensagens.

g1

30/01/2017

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